Uma dor que não se escreve... Perdida de corpo, andando
por aí. O corpo se forma no ato da palavra. Que desfia, escorre, caminha. As
palavras buscam um resto de corpo por onde passar e então tecer outros corpos.
Estão presas, encurraladas. Não há saída? Há de se fazer. Me esforço. É preciso
compor um corpo para pertencer a dor. Elas vão se mostrando, não
escolho... Escrevo. Escrevo. Escrevo. Mas cada palavra é pouco. Toda palavra é
tanto. Eu tento...
sou mulher de palavra. palavra escrita, pulsante, marcada, derramada, costurada... palavra que chama em silêncio, comprometida com tempos suspensos...
segunda-feira, 31 de março de 2014
domingo, 23 de março de 2014
segunda-feira, 17 de março de 2014
ELAS (momento ampliado de um instante de descuido)
Caminhos percorridos entre a fumaça...
Estradas que se franzem involuntárias...
Olhos que pe(r)dem sentido...
Estradas que se franzem involuntárias...
Olhos que pe(r)dem sentido...
Culparia
a primavera por aquele ato improvisado?
sábado, 15 de março de 2014
Envelopes pardos
Em meio a tanta escrita, acaso nos importa ser Ana, ser
Bárbara, ser Chico, ser tarde?
(...)
Para ouvir: Fortaleza-Chico Buarque
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Para Eros se lembrar da mãe I
Queria conseguir judiar da saudade
rasgar, cuspir, esfolar
Depois te devolver
saudade feia e mal acabada
sofrida e desgostosa
sincero presente
do fundo do
(poço) coração.
do fundo do
(poço) coração.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
DA ESCRITA I
Todo
nascimento do verbo anuncia uma morte...
Palavra
que engasga na garganta,
palavra
que tropeça em 'se' e volta.
E
volta.
E
volta...
A
cada queda
da
palavra,
uma
perda
“coisa
com mais perdas é o eu”
Para ouvir: Dead Things - Philip Glass
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Do remoto controle (com meu re-conhecimento)
06 de setembro de 2013
(...)
Os opostos às vezes são mais próximos que os meios. E estão em mim, inseparáveis.
[Da série: "Fragmentos de costuras que se soltam entre capas verdes"]
Para ouvir: Esquadros - Adriana Calcanhotto e Paulinho Moska
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Dos (des)encontros cotidianos
Que vida é essa que você pretende que aconteça em dias de coxas
depiladas e calcinhas estratégicas, secadas com secador de cabelo? Nesse dia,
pode ter certeza, seu celular vai tocar 8 vezes! E você vai se frustrar em
todas elas. Receberá com desgosto ligações da sua mãe, da empresa de telefonia,
da secretária do dentista, do seu irmão e de uns 4 amigos distantes com saudade.
Pelas estatísticas dos aparelhos sem bateria, das mensagens salvas nos rascunhos de celular, dos guardanapos perdidos com números de telefone e da escassez de crédito em chips pré-pagos é logicamente impossível que uma dessas ligações fosse ser o convite que você deseja.
Essa vida, honey, essa vida que você imagina, acontece com as borboletas do seu estômago desintegradas na adrenalina da ansiedade, nos copos solitários whisky e nas comédias românticas assistidas madrugada adentro (ou séries de zumbis, o que for de sua preferência.) Essa vida não existe para ser, assim, compartilhada...
Não digo isso para que se sinta mal, erga seu copo aqui comigo! Vamos brindar as tardes chuvosas em livrarias, os ônibus perdidos na rodoviária, as cartas de amor achadas em bancos de jardim… Um brinde às noites muito bem não dormidas e aos expressos na padaria no dia seguinte antes do trabalho. Às garrafas de vinho dividas com estranhos no meio da rua. À todas aquelas que mandam um foda-se para a cor das calcinhas e preferem colorir segundas-feiras.
Ah! (suspiro...) Um brinde às deliciosas e surpreendentes brincadeiras do destino.
Para ouvir: Ironic - Alanis Morissette
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Esquinas
"Dessa vez, pela primeira vez, a volta era uma ida..."
[Da série: "Fragmentos de costuras que se soltam entre capas verdes"]
...
A mala ao lado não me cabe em lembrança.
E pesa.
Somos o que fazemos dos restos que
fizemos de nós.
Também...
Memórias suspiradas na poesia de
um parafuso,
o olhar que surpreende e atravessa
para um lugar refeito de mim,
a estrada que se abre corajosa escrita ao anoitecer e esse ponto final que nunca, nunca chega
a estrada que se abre corajosa escrita ao anoitecer e esse ponto final que nunca, nunca chega
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Legítima em defesa
06 de agosto de 2013
(...)
Legitimo minha tristeza no corpo que dói... E o corpo é palavra, linguagem. Que precisa sair de mim para que esse corpo exista, caminhe, com o retorno dessa palavra por outras vozes...
(...)
Quero existir com ela também... Como afeto, corpo e linguagem...
[Da série: Fragmentos de costuras que se soltam entre capas verdes]
Para ouvir: Palavras não falam - Mariana Aydar
(...)
Legitimo minha tristeza no corpo que dói... E o corpo é palavra, linguagem. Que precisa sair de mim para que esse corpo exista, caminhe, com o retorno dessa palavra por outras vozes...
(...)
Quero existir com ela também... Como afeto, corpo e linguagem...
[Da série: Fragmentos de costuras que se soltam entre capas verdes]
Para ouvir: Palavras não falam - Mariana Aydar
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
06 de janeiro de alguns anos por aí
Talvez porque tropeçávamos em malas amarelas e rabos de
lagartixas, outras vezes porque à certa altura da noite a seleta com mel e
limão já se tornou companhia que transforma distraídos em parte da juventude
universitária subversiva. Nesses momentos, que função melhor tem os celulares
dos adultos trabalhadores senão distribuir amor em madrugadas de quinta feira,
não é mesmo? E me convence! Só você é capaz de saber melhor que mim mesma que o
fato de eu achar Holden Caulfield insuportavelmente adolescente não tem a ver
com discriminação etária, mas representa uma chance a mais de eu tentar sentir o
que seria receber uma carta escrita pelo Salinger... São nossas incursões nesse
pequeno grande mundo que guarda sentido nas correspondências, máquinas de
escrever e playlist rabiscadas em contracapas. Mundo compartilhado carregando
caderninhos na bolsa e sabendo que um convite para a 35 obviamente significa
levar histórias para passear no corredor... As tardes barroquianas estendem
nossas teorias proféticas e ampliam os referenciais possíveis. “Isso é
Lacan, bêbado!” Com certeza. Reunido com Dom Quixote, Cartola, Ana Cristina
César. Por vezes influenciando a criação de tatuagens autorais e caixinhas de
fósforo que anunciam The Doors. Quem sabe por isso tenha te escolhido para guardar
minhas referências! Você percebe como essa liberdade de cada um pela própria
vida mexe com a minha literatura... “Toma, escreve!” E seu imperativo é como um
convite para a criança se sentar no balanço mais alto do parquinho e arriscar
tirar os pés do chão. “Eu quero te ler...” Essa necessidade movente que nos
atropela e você transforma em finais para além de Hollywood... O abandono
e a falta. A escrita de uma beleza sincera que costura (des)caminhos entre
tantas vidas possíveis...
Se chegou até aqui, queria dizer que não precisa mais ter
medo caso façamos aquelas nossas camisetas ameaçadoras de escritoras
terroristas, deve ter percebido que acabo de riscar teu nome. Especificamente
hoje, venho apenas te oferecer dedos saudáveis, cafés merecedores de saraus
involuntários, bancos de madeira que contam histórias de esquilos apaixonados,
amores que tremem sete vezes antes do luto final e essa música aí embaixo (um
pleonasmo! Já que você bem sabe que atrás de cada terno que segura um Nextel na
mão existe uma criança sonhando em tirar a gravata e subir num pé de
jabuticaba...)
Para ouvir: Forever Young – Bob Dylan
Pequeno aviso fundamental àqueles que tem
dificuldade de interpretação de texto: é óbvio que isso não é uma carta, é
apenas literatura!
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